O PLANO R*

O Plano R*[1] consiste na distribuição de diversos servidores, e portanto de serviços, entre vários provedores espalhados ao redor do mundo (estamos constantemente procurando provedores prontos para hospedar nossos computadores).

Todo servidor hospeda todos os serviços fundamentais oferecidos pelo A/I e alguns serviços específicos, bem como uma cópia de toda a informação necessária para re-criar do rascunho toda a estrutura (a parte mais importante sendo as configurações e o banco de dados de usuários).

Dados públicos (especialmente websites) estão contidos em todos os servidores, de forma que é muito difícil evitar que usuários acessem algum conteúdo em particular.

Dados privados (especialmente caixas de email) são distribuídos entre diferentes servidores, de forma a limitar quaiquer danos. Consideramos mais importante garantir a privacidade e a possibilidade de comunicação, do que fazer infinitas cópias de emails privados colocando-os em todos os computadores.

Se um servidor for comprometido, todos os usuários serão movidos para um outro servidor, sem que se tenha que reconfigurar nada: o que queremos é garantir a continuidade na comunicação.

Se todos os servidores públicos forem violados ao mesmo tempo, isto significará que a situação é muito mais preocupante. Neste caso, a impossibilidade de enviar emails será apenas um pequeno inconveniente em um cenário muito mais complexo. Neste caso, você pode nos contactar no endereço de Alpha Centauri, onde esperamos que quando chegarmos a este ponto, o que muito se fala sobre um mundo melhor já será realidade.

Além disso, todos os dados (especialmente chaves de encriptação) que podem ser usados para decodificar mensagens serão sempre criptografados, e os computadores terão sensores para ter certeza de que não haja nenhuma violação. Como de praxe, não guardamos nenhum log (ou seja, dados necessários para identificar conexões de e para nossa rede) e nenhum dado privado relacionado aos nossos usuários.

As soluções que encontramos têm como objetivo forçar, ou ao menos convidar, qualquer um que deseje acessar nossos servidores a contactar o A/I, para que possamos saber o que estão planejando fazer, bem como de que forma e por que razões, e assim possamos garantir a continuidade de todas as comunicações.

Tais coisas deveriam ser na verdade tomadas como óbvias, mas na nossa estranha sociedade, fundada no nosso medo de nossos próprios vizinhos, elas parecem ser algo novo, que deve ser inventado e criado do zero.

Brevemente, o Plano R* tem como objetivos:

  • Prevenir qualquer tipo de bloqueio forçado das comunicações.
  • Poder decidir sobre as modalidades de intervenção externa na nossa rede (e portanto nos dados dos usuários).
  • Oferecer nossos serviços a cada vez mais e mais pessoas que não queiram entregar sua comunicação privada a sociólogos corporativos (no melhor caso), transcendendo os limites físicos de apenas um servidor.
  • Fazer tudo o que for possível, usando imaginação quando necessário, para proteger a privacidade de nossos usuários.

O ponto máximo

Achamos óbvio que isto não é suficiente. Sem dúvida, cria circunstâncias melhores do que aquelas que temos enfrentado até agora, mas lutar contra a equação "controle + repressão = solução de todos os problemas" é muito mais complexo que uma simples solução técnica.

Nestes anos assustadores, a agressão maníaca às liberdades mais fundamentais de muitas pessoas talvez divulgue e amplie a defesa de nossa privacidade e liberdade de expressão. Ou talvez não. Neste caso, todos os truques técnicos que pudermos utilizar serão provavalmente inúteis.

Nossa esperança é que mais e mais pessoas façam sua parte de aprender e ensinar aos outros sobre o uso de instrumentos digitais e de outras naturezas com o objetivo de parar esta ameaça à comunicação e discurso livres.

Nós trabalhamos para melhorar nossos serviços, para fazê-los mais resistentes, e continuaremos fazendo isto. Mas isto não pode e não deve ser suficiente. Tudo que não queremos é criar uma falsa sensação de segurança, para então nossos usuários pensarem que podem confiar totalmente em nós para sua privacidade. O mundo em torno de nós já provou que qualquer plano tem uma porta dos fundos, e que não há truques infalíveis ou planos que possam nos livrar de um envolvimento pessoal na defesa de nossa privacidade. Se você quiser aprender mais e descobrir que instrumentos você pode usar para proteger sua privacidade, leia este tutorial sobre privacidade em email, que também contém referências úteis.




Nota

[1] Para desenvolver nosso plano, nós lemos muitos livros de história, para lembrar a história dos vencedores e descobrir a melhor estratégia para um grande passo a frente. Depois de ler os clássicos, de Adam Smith a Kipling, nós esbarramos num texto Italiano, um plano escrito por volta de 1982 por um ex Grão Mestre maçon que objetivava subordinar a Itália às corporações, e transformar os cidadãos em uma massa de força de trabalho sem poder e atordoada. Aquela tentativa foi chamada de Plano R, e todos dizem que ela foi em vão. Mas todas as evidências em torno de nós mostram que não foi, e por ter sido tão bem sucedida, mesmo depois de 30 anos, decidimos nos inspirar nela, com um lance a mais, e chamando nossa idéia de Plano R*.